A circulação das informações produzidas pelo Estado só bem recentemente deixou de ser restrita às esferas públicas produtoras: no Brasil, os serviços públicos de divulgação da informação começaram a aparecer no final da década de 70, ainda que de forma muito incipiente, com base em critérios mais pragmáticos do que técnico-científicos, conhecendo maior desenvolvimento com o processo de democratização brasileira. De início, a existência desses serviços era restrita aos centros próximos do poder, situação que se modifica gradativamente em razão do uso das novas tecnologias, em particular da Internet.
Na construção desses sistemas a ênfase na tecnologia por diversas vezes prepondera quanto aos critérios de organização da informação, e não é raro verificar que os organismos governamentais demonstram certa resistência em relação às práticas necessárias ao trabalho de produção e organização da informação (Malin, 1998). Resulta daí a sobrevalorização da informática (que deveria ser vista no seu sentido final de ferramenta) em detrimento do tratamento da informação. Esse quadro modifica-se apenas de forma bastante lenta, quando as instituições passam a perceber que a informática sozinha não tem oferecido respostas adequadas para dar conta dos aspectos de organização e recuperação de conteúdos, acordando, em ritmo menor do que seria desejado, para o uso de tecnologias de informação (e não só de informática).
Analisada como ferramenta, todavia, a importância da informática é inegável. No campo da circulação da informação estatística os reflexos dos fatores apontados não são diferentes. As estruturas organizativas também se ressentem continuamente da alteração de objetivos e metas governamentais. A complexidade do trabalho de organização e disseminação da informação estatística é agravada pelas conseqüências das alterações advindas da transformação da sociedade contemporânea que se rebatem na formulação do sistema estatístico oficial (Porcaro, 2001). Essas mudanças nem sempre são captadas pelas pesquisas estatísticas em razão dos modelos teórico-conceituais que constituem a base das coletas, problema que se materializa claramente quando da construção de metassistemas de informação (sistemas de organização e recuperação construídos para facilitar o acesso aos sistemas estatísticos ou a dados particulares desses sistemas), porém se refletem nas demandas, mais rapidamente sensíveis às alterações.